
RODOVIA FEDERAIS: UM BURACO DE R$ 30
BILHÕES
ESTADOS CRITICAM PLANO EMERGENCIAL DE R$ 440 MI PARA ESTRADAS
CIDE PARA TV A CABO
MINISTRO EM CAMPANHA
MULTAS EM VIAS FEDERAIS
13ª REUNIÃO DE PAVIMENTAÇÃO URBANA
XI ENACOR E A 37ª RAPv
OUTRO MODELO
LUTA POLÍTICA
RODOVIAS FEDERAIS UM BURACO DE R$ 30 BILHÕES
ESTADOS CRITICAM PLANO EMERGENCIAL DE R$ 440 MI PARA ESTRADAS
TRANSPORTE REDUZ INVESTIMENTO APÓS CRIAÇÃO DA CIDE EM 2002
O TCU DEFENDE LICITAÇÕES
DER/SP INSTALA SENSORES EM ESTRADAS
DERT - CE COMEMORA 60 ANOS
AGETOP ENTREGA GRANDES OBRAS EM ARAGARÇAS
PARANÁ ACELERA RECUPERAÇÃO DE RODOVIAS
SISTEMA INFORMATIZADOS AUXILIAM NO GERENCIAMENTO
INTEGRADO DE CUSTOS, CONTRATOS E MEDIÇÕES DE OBRAS
RODOVIA FEDERAIS: UM BURACO DE R$ 30 BILHÕES
O Fórum Nacional dos Secretários de Estado de Transportes, em reunião no
dia 11 de janeiro em São Paulo, com presença de representantes de 19 Estados, chegaram
ao consenso: a solução para os problemas que afligem as rodovias federais é a
estadualização. Os secretários de Transportes, porém, advertiram: os Estados só
aceitam a transferência das estradas se elas forem totalmente recuperadas pelo Governo
Federal e para as obras de recuperação apontaram os recursos: R$ 30 bilhões arrecadados
pelo Governo Federal com Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide),
desde 2002.
O Fórum espera que o Governo chame os Estados para discutir a parceria e enfrentar o
problema das rodovias federais, ficando de fora do acordo os grandes eixos - estradas
federais que cortam vários Estados. Os secretários rechaçaram a proposta do Governo que
exige contra-partida financeira dos Estados de 30% nas obras de recuperação. Para a
manutenção das estradas, os Estados reivindicam 55% dos recursos da CIDE. Atualmente,
recebem 29%. Eles criticaram o Programa Emergencial de Trafega-bilidade e Segurança nas
Rodovias (Operação Tapa-Buracos) anunciado pelo Governo, em dezembro de 2005.
ESTADOS CRITICAM PLANO EMERGENCIAL
DE R$ 440 MI PARA ESTRADAS
O Governo Federal iniciou, dia 9 de janeiro, a
operação tapa-buraco em 10,5 mil km de estradas com a criação de 120 frentes de
trabalho em áreas definidas como prioritárias pelo DNIT (Departamento Nacional de
Infra-Estrutura de Transportes). A previsão do Governo é colocar nas estradas 600
frentes de operários nos próximos dias para concluir os serviços de tapa-buracos no
prazo de 90 dias.
A operação, denominada Programa Emergencial de Trafegabilidade e Segurança nas
Rodovias, deverá custar R$ 440 milhões e o objetivo é tapar buracos em 26.441 km de
rodovias, em 25 Estados. O Ministério dos Transportes informou que as obras começaram
simultaneamente nos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Paraíba, Rio Grande do
Norte, Rio de Janeiro, Maranhão, Pará, Bahia, Paraná, Espírito Santo, Rio Grande do
Sul, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pernambuco, Piauí, Ceará e Santa Catarina.
Os Secretários de Transportes consideram a operação tapa-buracos inadequada, ineficaz e
inoportuna.
Jornais anunciaram que levantamento feito no Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) mostrou que a Cide, em 2005, bancou despesas com assinatura de TV a cabo, eventos na área cultural, serviços de segurança, planos de saúde de servidores públicos, auxílio-refeição e outros gastos de custeio e com pessoal. Enquanto isso, o Ministério dos Transportes chegava ao fim do ano com R$ 2,4 bilhões de investimentos contingenciados.
O ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento (PL-AM), que já foi prefeito de Manaus, anunciou no início de janeiro que deixará o cargo em março para se candidatar nas próximas eleições. "Eu gostaria de ser governador", confessou Nascimento, reconhecendo, porém, que poderá se candidatar ao Senado, caso não consiga articular sua candidatura ao governo do Estado.
Os motoristas do Estado de São Paulo multados em rodovias federais voltaram a ser cobrados na hora de licenciar o veículo a partir das próximas semanas. As multas da Polícia Rodoviária Federal em estradas federais passaram novamente a ser lançadas pelo Detran (Departamento Estadual de Trânsito) paulista entre os débitos dos veículos, interrompendo uma situação de impunidade que se arrasta desde julho de 2004, por divergências burocráticas entre órgãos estaduais e federais. O problema se repete em outros Estados do país, onde a cobrança também deverá ser feita.
13ª REUNIÃO DE PAVIMENTAÇÃO URBANA
A ABPv - Associação Brasileira de Pavimentação - aguarda a
participação de cerca de mil técnicos, entre secretários municipais, construtores,
consultores, professores, engenheiros e estudantes de engenharia, na13ª Reunião de
Pavimentação Urbana, previsto para ocorrer de 05 a 07 de abril, em Maceió. Mais
informações pelo site www.rpu.org.br.
De 8 a 11 de agosto de 2006, numa parceria inédita da ABDER com a ABPv -
Associação Brasileira de Pavimentação, e sob a coordenação da AGETOP, serão
promovidos, no Centro de Convenções de Goiânia/GO o XI ENACOR e a 37ª RAPv - Reunião
Anual de Pavimentação.
O governo federal, finalmente, enxergou o óbvio e abriu os
cofres para impedir que as crateras da deteriorada malha rodoviária levem todo esforço
de desenvolvimento para o temível abismo do "apagão logístico". Setenta e
dois por cento das estradas federais estão péssimos ou deficientes. O plano emergencial
prevê a recuperação de 26 mil quilômetros, num prazo de seis meses. E depois? Como
evitar que este investimento de emergência vá para o buraco?
Saída existe. Passa por três gargalos: a falta de investimentos, a política arcaica do
setor e a gestão ineficiente da rede. Infelizmente, mesmo que todo o dinheiro fosse
aplicado onde deve, nossas estradas ainda estariam esburacadas. O governo já demonstrou:
não consegue administrar com eficiência os recursos previstos. Dos R$ 5,3 bilhões
garantidos pelo orçamento, em 2005, só foram aplicados R$ 2 bilhões. A centralização
da gestão da rede é um grande buraco do sistema. É preciso redefinir papéis, buscar
novas formas de se administrar o sistema rodoviário. Por que ter apenas um órgão
gerenciador em um país de dimensões continentais? Por que não descentralizar,
envolvendo os departamentos rodoviários estaduais, que vivenciam de perto os problemas?
Precisamos, urgentemente, criar um sistema que integre nossas rodovias, tornando a gestão
mais rápida, eficiente e barata. Os órgãos rodoviários estaduais estão aptos a
receber as rodovias federais. A eles caberia a gestão no âmbito estadual, enquanto o
governo federal seguiria sendo o responsável pela política, o planejamento, a
fiscalização e a distribuição de recursos do sistema rodoviário, a partir de sua
visão do conjunto do país. Não podemos mais usar bitola, resolvendo só os problemas
urgentes.
CARLOS ROSEMBERG
presidente da
Associação Brasileira dos Departamentos Estaduais de Estradas de Rodagem e da Agência
Goiana de Transportes e Obras (Agetop)
A precariedade das estradas brasileiras, com destaque
negativo para as federais, transformou-se em tema inevitável da campanha eleitoral.
Certamente o assunto freqüentaria os debates entre situação e oposição. Mas com a
iniciativa do governo de deflagrar, com alarido, uma ampla operação tapa-buracos, logo
identificada como manobra eleitoreira por oposicionistas, a questão ganhou mais peso
político do que deveria.
Que as estradas precisam de manutenção é indiscutível. Os investimentos, que já
escasseavam no final da gestão FH, quase desapareceram no governo Lula. Pois, ao lado da
carga tributária, o corte dos investimentos públicos foi usado sem parcimônia para
ajudar na obtenção dos necessários superávits primários nas contas da União.
Na era FH pelo menos não havia prevenção contra concessões e privatizações. A
situação mudou no governo Lula. A falta de investimentos não foi compensada pela
abertura de espaço para o setor privado. Some-se a isso a grande dificuldade que o
governo do PT demonstra na área administrativa. Fazer acontecer não é o forte deste
governo. E assim chegou-se a uma situação de efetiva calamidade em algumas
estradas-chave, como em trechos da BR-101.
Qualquer ação para melhorar as condições das estradas seria bem-vinda. Mas as
circunstâncias do anúncio da operação tapa-buracos tornaram o tema incandescente.
A liberação de R$ 400 milhões para tapar buracos em 26 mil quilômetros de estradas foi
interpretada como uma tentativa de Lula de procurar compensar, perante o eleitorado, os
efeitos corrosivos da crise do valerioduto. Outro foco de problemas é a contratação de
empreiteiras sem licitação. O Tribunal de Contas da União discorda dessa liberalidade,
justificada pelo fato de a operação ter o caráter de emergência. O resultado é que
já surgem denúncias de favorecimento de empreiteiros financiadores de campanhas
petistas.
E assim uma medida imprescindível ganha ares de ato eleitoral, o que pode impedir ou
atrapalhar o que importa: o conserto, para valer, das estradas. - Fonte O Globo de
21/01/2006
RODOVIAS FEDERAIS UM BURACO DE R$ 30 BILHÕES
Estadualização
Dos 26.441 mil km de rodovias incluídos na Operação Tapa-Buraco, o Ministério do
Transporte assinala que 5.732 km haviam sido transferidos aos Estados entre 2002 e 2004.
Para os secretários de Estado de Transportes, a estadualização, que previa a
transferência de 14.805 km de estadas federais aos Estados, no prazo de quatro anos não
ocorreu. A Medida Provisória (MP) nº 82/02, que transfere parte da malha rodoviária
federal aos Estados foi editada no final do governo Fernando Henrique Cardoso, e,
posteriormente, vetada pelo presidente Lula em maio de 2003 através do Projeto de Lei de
Conversão nº 03/2003. Antes do veto, entre dezembro de 2002 e maio de 2003, a União
repassou, a 15 Estados que receberam a malha federal, R$ 130 mil por quilômetro
transferido, a título de cobrir as despesas de conservação, num total de R$1,885
bilhão.
Reunidos em maio de 2005, em Belo Horizonte, 19 secretários estaduais de transporte
emitiram documento afirmando que não reconheciam os procedimentos de transferência de
rodovias federais, entre outras razões, porque o DNIT não havia adotado as providências
necessárias, tais como: apresentação de critérios claros para o estabelecimento dos
valores para recuperação das estradas; contabi-lização nesses valores as
indenizações a serem pagas pela União por desapropriações feitas na ocasião da
construção dessas rodovias; definição dos contratos para exploração das faixas de
domínio; planos de recuperação das estradas; e levantamento dos bens acessórios e
benfeitorias que deveriam ser transferidos conjuntamente com as rodovias. Os secretários
registraram ainda falta de anuência das Assembléias Legislativas para incorporação da
malha transferida ao patrimônio dos Estados.
"As estradas estão em situação jurisdicional indefinida por causa do veto de Lula
à MP 82", afirma o presidente da ABDER (Associação Brasileira dos Departamentos
Estaduais de Estradas de Rodagem), Carlos Rosemberg. Enfatiza que essa indefinição tem
provocado rápida deterioração de alguns trechos da malha viária
"estadualizada".
A situação é mais grave nos Estados com maior extensão de estradas transferidas, como
Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Bahia. De acordo com o Ministério dos Transportes,
Minas Gerais recebeu do Governo Federal 6 mil km de rodovias e R$ 780 milhões para
mantê-los. O Rio Grande do Sul recebeu 1.987 km e aproximadamente R$ 260 milhões para
conservá-los.
Recursos
O secretário de Transportes e Obras Públicas de Minas Gerais e presidente do Fórum
Nacional de Secretários, Agostinho Patrus, disse que o Governo Federal, se fizer uma
auditoria, vai encontrar no caixa dos Estados os recursos liberados no final de 2002.
Patrus admitiu que alguns Estados usaram a verba em outras finalidades, como pagamento de
salários dos servidores públicos, mas garantiu que o dinheiro foi reconstituído pelos
Governos Estaduais. Segundo ele, dos R$ 780 milhões liberados pelo Governo para Minas
Gerais, R$ 552 milhões tiveram outra destinação, mas, posteriormente, esse valor foi
reposto.
"Pode fazer a auditoria. O Governo vai chegar nos Estados e ver que o dinheiro está
lá. O que interessa é que estamos com os recursos à disposição", afirmou Patrus,
explicando que os Estados estão, desde maio de 2003, impedidos de aplicar os recursos
porque o veto do presidente Lula à MP um mês depois de o Congresso tê-la aprovado criou
um vácuo normativo. "Com o veto, os Estados ficaram legalmente impossibilitados de
usar o dinheiro", disse, ressaltando que, para a recuperação dos 14.805 km de
rodovias federais a serem estadualizadas, o Governo Federal terá que investir pelo menos
R$ 5 bilhões.
Agostinho Patrus anunciou que os Estados estão dispostos a retomar as negociações, mas
advertiu que, se o Governo insistir nas contrapartidas estaduais, os Estados voltarão a
fazer as cobranças que faziam em 2002 acerca do ressarcimento dos valores aplicados por
eles nos últimos anos na recuperação de rodovias federais. Ele lembrou que os Estados,
em 2002, abriram mão de ir à Justiça cobrar o que o Governo lhes devia. "Foi um
acordo assinado e sacramentado. No caso de Minas, o Estado aplicou cerca de R$ 2 bilhões
entre 1989 e 2001 na recuperação de rodovias federais, que estavam em péssimas
condições. O governo disse: vai construindo e depois a gente acerta. Esse acerto,
porém, nunca aconteceu", afirmou Patrus.
ESTADOS CRITICAM PLANO EMERGENCIAL DE R$ 440 MI PARA ESTRADAS
O ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, informou
que DNIT aproveitará contratos de manutenção em andamento para a aplicação direta dos
recursos em cerca de 19 mil km, ou seja, nestes trechos as obras serão feitas sem
licitação. O fato causou protestos no Congresso. "É um absurdo que obras como
estas sejam feitas sem contratos de licitação", disse o senador Romeu Tuma
(PFL-SP), que classificou o programa de "ação eleitoreira".
De acordo com os 19 Secretários Estaduais de Transportes que se reuniram em São Paulo,
dia 11 de janeiro, a operação tapa-buracos é inadequada, ineficaz e inoportuna, já que
coincide com a época das chuvas, o que põe a perder as obras que estão sendo
realizadas.
"Estão fazendo intervenções tópicas, epidérmicas, que não vão resolver os
problemas", criticou o secretário dos Transportes do Paraná, Waldyr Pugliesi.
"A operação tapa-buraco está abaixo da crítica. Se o Governo Federal quiser, pode
deixar as rodovias com a gente que a gente resolve", completou o secretário de
Transportes de São Paulo, Dario Rais Lopes, esclarecendo que os DERs estão mais
capacitados a manter as rodovias que o Governo Federal.
Para alguns especialistas, os R$ 440 milhões destinados à operação são insuficientes
para a realização do serviço nos 26,4 mil km que o Governo quer atingir com o programa
emer-gencial. Segundo o vice-presidente do Instituto de Engenharia de São Paulo, Edemar
de Souza Amorim, para que a operação realize serviços classificados por ele como
"quebra-galho" seriam necessários gastos de pelo menos R$ 100 mil por
quilômetro, em estrada de pista simples. Com a verba anunciada pelo governo, o cálculo
dá R$ 16,6 mil por quilômetro.
O ministro Alfredo Nascimento se defende afirmando que a recuperação das estradas foi
uma preocupação desde o começo de seu mandato. "Agora que conseguimos a
liberação dos recursos, temos que aproveitar", disse ele, prometendo instituir uma
Câmara Setorial de Transporte para que as próprias entidades do setor possam fiscalizar
as realizações das obras. "Se a obra não estiver bem feita, não será paga",
avisou o ministro.
TRANPORTE REDUZ INVESTIMENTO APÓS CRIAÇÃO DA CIDE EM 2002
Auditoria do Tribunal de Contas da União, realizada no
final de 2005, constatou que o Ministério dos Transportes reduziu os investimentos na
recuperação e conservação de rodovias após a instituição da Contribuição de
Intervenção no Domínio Econômico (Cide), em 2002. A auditoria do TCU concluiu o que as
entidades ligadas ao rodoviarismo já sabiam: o Governo vem utilizando os recursos
arrecadados com a CIDE para fazer superávit primário, pagar encargos da dívida externa,
aposentadoria e benefícios assistenciais a servidores.
O TCU constatou que, em 2003 e 2004, os valores liquidados pelo Ministério dos
Transportes foram menores que os pagos em 2001, quando a Cide não havia sido criada. No
Orçamento da União de 2001, o ministério teve dotação de R$ 8 bilhões e executou R$
6,4 bilhões. No ano seguinte, a dotação subiu para R$ 10,8 bilhões, sendo R$ 5,7
bilhões originários da Cide. A execução subiu para R$ 7,4 bilhões. A partir de 2003,
a dotação do orçamentária do Ministério foi crescendo, com o incremento dos recursos
do "imposto da gasolina", mas os valores pagos caíram.
Em 2003, de uma dotação de R$ 11,5 bilhões, R$ 7,7 bilhões foram cobertos pela Cide.
Mas o orçamento próprio do ministério foi reduzido para R$ 3,8 bilhões. No período, o
Governo executou apenas R$ 4,5 bilhões. O quadro foi semelhante em 2004. O Ministério
dos Transportes teve orçamento de R$ 10,8 bilhões (R$ 5,6 bilhões custeado pela Cide),
mas liquidou apenas R$ 5,6 bilhões.
O TCU também revelou que parcela dos recursos da Cide não tem sido aplicada.
Aproximadamente 39% da receita de 2003 e 33% de 2004 foram direcionadas à reserva de
contingência. Segundo a auditoria, a Cide arrecadou R$ 22,2 bilhões de 2002 a 2004. O
saldo dos recursos arrecadados e não utilizados é de R$ 9 bilhões, o que corresponde a
41% do total.
O relator da auditoria do TCU, ministro Marcos Vilaça, observou que foram utilizados
recursos da Cide para efetuar pagamentos de despesas "bastantes questionáveis em
relação aos fins almejados pela Constituição", como a cobertura de "apoio
administrativo", onde se inclui a concessão de benefícios assistenciais a
servidores. De 2002 a 2004, foram gastos R$ 91 milhões com assistência médica e
odontológica de funcionários do Ministério, R$ 16 milhões com auxílio-transporte e R$
51 milhões com auxílio alimentação.
O TCU determinou à Secretaria de Orçamento Federal que, enquanto não for regulamentada
a distribuição dos recursos da Cide, não reserve verbas da Contribuição para ações
que não apresentem relação direta com programas finalísticos de transportes e meio
ambiente, como prevê a Constituição.
Para o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU),
ministro Adylson Motta, não há motivo para a dispensa de licitação nas obras da
operação "tapa-buracos" lançada pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva.
"O que caracteriza a dispensa de licitação é a excepcionalidade ou a
imprevisibilidade, como algum temporal ou uma chuva intensa. Não é o caso das estradas
brasileiras. O problema foi conhecido com bastante antecedência. As estradas brasileiras
foram abandonadas. O resultado era previsível: o caos do sistema viário
brasileiro", disse o ministro.
Adylson Motta lembrou que o TCU apontou o péssimo estado das estradas em seguidas
auditorias. Ele disse ter avisado a representantes do Governo Federal que tivessem
"cautela" nas dispensas de licitações, observando os preços praticados pelas
empreiteiras e a qualidade técnica das obras. Motta garantiu que o TCU irá acompanhar de
perto a realização da operação tapa-buracos.
DNIT- O diretor-geral do DNIT, Mauro Barbosa, afirmou que as empresas contratadas para o
Plano Emergencial de Recuperação das Rodovias continuarão a prestação de serviços,
até que a legislação as impeça. Segundo Barbosa, ainda que auditorias do Tribunal de
Contas da União (TCU) tenham apontado indícios de "irregularidades graves" em
contratos de algumas das empreiteiras envolvidas no programa, todas estão aptas.
Ele informou que, dentro de seis meses, um novo programa de licitações deverá pôr em
obras os trechos que estão sem concorrência pública. "Os recursos da CIDE
começaram a chegar. Então, no ano de 2006, deveremos ter investimentos, pelo DNIT, da
ordem de R$ 9 bilhões", afirmou Barbosa.
DER/SP INSTALA SENSORES EM ESTRADA
Com o objetivo de dimensionar o número de veículos que
trafegam pelas rodovias estaduais, o DER-SP implantou 35 sensores de veículos nas 186
rodovias que estão sob sua administração, num total de 18 mil quilômetros. O Governo
do Estado está investindo R$ 4,4 milhões no levantamento do volume diário médio de
veículos, considerado fundamental para se planejar que tipo de melhorias serão
necessárias fazer nas rodovias como conservação, manutenção e operação.
Iniciado em julho de 2005, o estudo conta com o apoio do Banco Interamericano de
Desenvolvimento - BID, que está financiando o programa de recuperação e ampliação das
rodovias paulistas.
O DER-SP anunciou que o número de vítimas fatais durante os feriados de fim de ano caiu
17,24% em relação ao réveillon de 2004/2005. Entre os dias 30 de dezembro e 01 de
janeiro de 2006, foram registradas 24 mortes, contra 29 no mesmo período do ano passado.
O número total de acidentes também apresentou decréscimo de 0,75%, registrando 797
ocorrências neste ano contra 803 no ano passado.
O Departamento de Edificações, Rodovias e Transportes (DERT/CE) lançou, dia 13 de janeiro, em Fortaleza, a programação comemorativa dos seus 60 anos. Presente ao evento, o secretário de infra-estrutura do Estado do Ceará - SEINFRA, Luiz Eduardo Barbosa de Moraes, destacou: "Ações como o planejamento da rede aeroportuária do Estado, a administração de aeroportos regionais, além de projetar e executar, para todas as instâncias do poder público estadual suas edificações, fazem do DERT um órgão vital para a administração pública".
AGETOP ENTREGA GRANDES OBRAS EM ARAGARÇAS
O governador Goiás, Marconi Perillo, inaugurou, dia 6
de janeiro, o novo cartão postal do município de Aragarças: a Avenida Beira Rio
totalmente revitalizada com a construção da orla fluvial. As obras foram realizadas pela
Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop). O trabalho incluiu também a duplicação
da via pública, substituição da pavimentação antiga, construção de um calçadão
com pedras portuguesas, arborização e paisagismo, com plantação de palmeiras, ipês e
outras espécies do cerrado. O investimento feito na recuperação e revitalização da
avenida foi de R$ 5,2 milhões.
Perillo inaugurou ainda, em Aragarças, benfeitorias no aeroporto da cidade (custo de R$
367 mil) e uma creche para 100 crianças (custo de R$ 207 mil). As duas obras também
foram realizadas pela Agetop.
Conforme explicou o presidente da Agência, Carlos Rosemberg, para remodelar a Avenida
Beira Rio, que sofria com problemas de assorea-mento e erosão, a Agetop empregou pela
primeira vez em Goiás a tecno-logia italiana Vertical Green Wall, que dispensa a
impermeabiliza o solo, e permite ao lençol freático se realimentar.
PARANÁ ACELERA RECUPERAÇÃO DE RODOVIAS
O DER-PR está acelerando as obras de recuperação do
Contorno Norte de Curitiba, que estão divididas em três lotes. O primeiro lote, com 5
km, da BR-277 até a Avenida Manoel Ribas, foi concluído recentemente. O terceiro lote,
com 7 quilômetros, da Rodovia dos Minérios (PR-092) até a Rodovia da Uva (PR-417),
está com os trabalhos de recuperação do pavimento adiantados. Segundo o secretário dos
Transportes, Waldyr Pugliesi, os dois lotes serão concluídos nas próximas semanas, com
o custo de R$ 1,86 milhão.
Em relação ao lote 2, Pugliesi as obras que estavam em andamento há quase duas
décadas. Ele informou que o Governo do Paraná investiu R$ 9 milhões nas obras de
pavimentação de 2 km e na construção de mais 3 km de rodovias que formam as alças de
acesso ao viaduto da Rodovia dos Minérios. "Retiramos do tráfego urbano diário
mais de 12 mil veículos, beneficiando os moradores de diversos bairros da capital e dos
municípios de Almirante Tamandaré e Colombo", disse Pugliesi.
O secretário informou ainda que o governo do Estado está recuperando uma das mais
importantes rodovias do Norte Pioneiro do Paraná. As obras nos 31 quilômetros entre
Quatiguá e a BR-153, município de Santo Antônio da Platina (PR-092), estão em fase
final.